22 de jan. de 2013








Três anos depois do terremoto, ocupação e abandono

Situação no Haiti mostra dois lados da mesma moeda


Há 3 anos, em 12 de janeiro, um terremoto devastou o Haiti e matou mais de 500 mil, deixando 1,5 milhão de desabrigados. A infraestrutura do país foi arrasada e até hoje cerca de 500 mil haitianos vivem em 496 abrigos improvisados. A vida nesses campos é desumana: em barracas de lona há três anos, falta água, comida e não há luz. Alguns dos campos foram “removidos” dos lugares nobres da capital e transferidos para locais distantes com trajeto para a capital de mais de uma hora.

O desemprego após o terremoto bate recorde: dos 4,2 milhões de haitianos economicamente ativos, apenas 200 mil têm emprego formal. E nestes empregos, têm os piores salários do continente. Não é coincidência a inauguração, no fim do ano passado, por Hilary Clinton, de um parque fabril têxtil cujo salário é de 3 dólares/dia. 

República das ONGs

Dos 9 bilhões de dólares (R$ 18,3 bi) doados para a assistência humanitária , segundo o governo, apenas um terço do dinheiro destinado à reconstrução acabou nos cofres públicos haitianos. "A grande maioria foi para as ONGs". (OESP 12/01/13). Hoje são mais de 12 mil, vindas de 62 países, e recebem as centenas de milhões de dólares desviados da ajuda ao povo haitiano. Segundo a CPR – Centro de Pesquisa Econômicas e Políticas, apenas 27% do total de fundos arrecadados por ONGs que atuam no Haiti havia sido usados para evitar surtos e epidemias. O resto permanecia em suas contas bancárias. A Cruz Vermelha Americana havia usado apenas US$ 117 milhões dos US$ 464 milhões arrecadados; a Care EUA tinha gasto apenas US$ 9,6 milhões dos US$ 36,5 milhões arrecadados. "Os doadores foram enganados. Eles fizeram doações em resposta aos apelos para salvar vidas. Agora, depois que milhões foram arrecadados, os sobreviventes estão morrendo de cólera e o dinheiro ainda está no banco" escreveu o jornalista.
Em 2013 foram registrado 27 mortes causadas pelo cólera, chegando a 8 mil no total e mais de 650 mil infectados. Do total de mortos, corrigindo informação de nossa edição, foi entregue à ONU uma lista de 5000 nomes de mortos identificados, numa ação que responsabiliza a ONU pela introdução do cólera no Haiti.
Minustah
Seguem ocupando o país 7.700 militares, 1.278 agentes de policia e 595 civis que compõem as forças da missão da ONU, a Minustah. Durante o terremoto e nos dias seguintes não se via as tropas da ONU na ajuda à população e, nesses três anos subseqüentes, suas ações seguem vilipendiando o povo haitiano, com seguidas humilhações e acusações de violência física comprovadas, invasões de universidades até violência sexual (caso dos soldados uruguaios).
E a ocupação tem um custo, alto, de cerca de 800 milhões de dólares por ano. Segundo Ansel Herz, jornalista que sobreviveu ao terremoto e desde então escreve sobre o Haiti para vários jornais, “grande parte do dinheiro arrecadado, se não vai para as ONGs, volta para pagar os custos de manutenção dos soldados no país”.
Mas não é somente uma questão de verbas gastas, mas da soberania do Haiti. Politicamente, as tropas da Minustah bancaram a farsa que “elegeu” o presidente Martelly; elas atuam como “guarda pretoriana” e são chamadas para reprimir as manifestações populares.
Por isso, em todas os atos e passeatas, quando o povo sai às ruas por emprego, salários, leva sempre uma bandeira que diz “Abaixo a Minustah”

Comitê Defender o Haiti è Defender a Nós Mesmos!

BOX
Senador haitiano é convidado ao Brasil

Moise Jean-Charles senador do Haiti, integrou, em outubro de 2012, uma delegação internacional que dirigiu-se à sede da ONU em Nova York para exigir a retirada das tropas. Nessa ocasião ele apresentou uma resolução do Senado, para que o governo haitiano apresentasse “ao Conselho de Segurança da ONU a demanda formal da retirada de todos os componentes da Minustah em um período não superior a um ano, ou até 15 de outubro de 2012”. 
O Comitê “Defender o Haiti é defender Nós mesmos”, sediado na Assembléia Legislativa de São Paulo, com o apoio de dirigentes do MST, CUT e Jubileu Sul, está convidando o senador Moise para vir ao Brasil, em março desse ano, para expor a real situação no país. A atividade faz parte da preparação da delegação brasileira à Conferência continental que ocorre no Haiti em 1º junho desse ano, proposta pela delegação que esteve na ONU em outubro de 2012..

6 de nov. de 2012



HAITI

Às organizações sindicais, políticas, populares e democráticas

Aos trabalhadores, jovens, dirigentes e personalidades engajadas na defesa da liberdade e da soberania dos povos

CHAMADO POR UMA CONFERÊNCIA CONTINENTAL EM 1o de JUNHO DE 2013, NO HAITI, PELA RETIRADA DAS TROPAS DA MINUSTAH 

Hoje, 11 de outubro de 2012, dirigimos a vocês esse chamado, depois de um encontro na sede da ONU, em Nova York, com o senhor M. William Gardner, alto responsável pelas relações políticas da Divisão Europa-América Latina e pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz da ONU, junto com três membros de sua equipe: Patrick Hein, Ekatrina Pischalnikova e Nedialko Kostov.

Fomos em uma delegação porque nenhuma pessoa comprometida com a defesa dos direitos democráticos mais elementares pode aceitar que uma força multinacional de ocupação, sob a bandeira da ONU e do comando do exército brasileiro desde 2004, continue a existir em território haitiano. No Haiti, há quase 200 anos atrás, em 1804, ocorreu a independência política, a libertação da escravidão, a instauração da república haitiana foi arrancada na luta dos escravos negros contra as potências imperialistas. 

Levamos ao senhor Gardner os últimos documentos de um dossiê preparado pelo "Comitê defender o Haiti é defender a nós mesmos", com sede na Assembleia Legislativa de São Paulo. Tal dossiê apresenta a campanha internacional que impulsionamos desde 2004 contra a presença da MINUSTAH no Haiti, assim como as mensagens de apoio à nossa delegação enviadas pelas instâncias sindicais de vários países da América Latina.

Nós sublinhamos notadamente (*) que:

a) A delegação recebida em 25 de agosto de 2011 pelo senhor Ugo Solinas, chefe do observatório no Haiti, da Divisão Europa e América Latina e do Departamento da ONU de Operações de Manutenção da Paz (DOMP, DPKO, em inglês) e por dois outros responsáveis de relações políticas do DOMP no Haiti : Tatiana Auguste e Patrick Hein apresentou à ONU resultados assustadores da Comissão Internacional de Investigação sobre a situação do Haiti que aconteceu em Porto Príncipe entre 16 e 20 de setembro de 2009. Nessa ocasião, Solinas reconheceu que foram levantadas "questões e preocupações reais. São alguns problemas com os quais terei que me confrontar durante os quatro anos em que estarei ocupado com as operações de manutenção da paz no Congo. Evidentemente, os problemas com os quais os haitianos estão confrontados são igualmente de domínio social e econômico. Mas as operações de manutenção da paz da ONU têm um mandato e um objetivo muito limitados: ajudar a assegurar um nível mínimo de segurança afim de que as instituições do Haiti possam ser reforçadas". Contudo, em 15 de outubro de 2011, o mandato da MINUSTAH foi renovado.

b) O Encontro Continental pela Retirada Imediata das Tropas da ONU do Haiti, em 5 de novembro de 2011, em São Paulo (Brasil), com o apoio do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos, e na presença de 600 pessoas, vindas de 12 estados do Brasil, diante de uma tribuna composta por militantes haitianos e participantes vindos de sete países de governos comprometidos com a ocupação do Haiti – Estados Unidos, Bolívia, Argentina, Uruguai, França e Brasil. Entre os presentes estavam representantes de importantes sindicatos, como a central sindical PIT/CNT (Uruguai), o Sindicato dos Mineiros de Huanuni (Bolívia), a CUT (Brasil). Houve apoio e mensagens de sindicalistas da UNETE da Venezuela, da CTA-Capital (Argentina), da CGTP do Peru, dos sindicatos do Equador e do Canadá... 

Esse encontro adotou o "Compromisso de São Paulo", afirmando que "as tropas da Missão da ONU para a ‘estabilização do Haiti’, Minustah, são responsáveis pela violação da sua soberania, com agressão aos direitos humanos, que causam mortes – efeitos ‘colaterais’ de um estado de guerra permanente – alem de repressão a manifestações democráticas, sindicais, estudantis e populares. Os soldados da Minustah introduziram o vibrião do cólera no país, que já matou 6.500 haitianos e contaminou mais de 300 mil. Sobre eles pesam acusações fundadas de violência sexual e estupro de jovens que, como outros crimes, seguem impunes dada à sua imunidade legal.

O Haiti sofreu várias ocupações militares. A última, em 2004, decidida pelo imperialismo estadunidense junto com a França e o Canadá, que derrubou o então presidente eleito, Jean-Bertrand Aristide. 

A partir de então, mascarada pela ONU como ‘missão de estabilização’, a ocupação por tropas militares e policiais de 40 países é comandada pelo exército brasileiro".

O compromisso de São Paulo chamava à continuidade da campanha e, particularmente, a realizar, em 1o de junho de 2012, uma Jornada Continetal pela retirada das tropas da MINUSTAH.

c) A Conferência Caribenha « Ajamos em conjunto por um Haiti soberano », « Fora MINUSTAH », que aconteceu em Vertières (em Cap-Haitien), entre 16 e 18 de novembro de 2011, por iniciativa da Associação dos Trabalhadores e dos Povos do Caribe (ATPC) e do comitê de continuidade da Comissão Internacional de Investigação, com a participação de organizações sindicais, políticas e do movimento popular dos Estados Unidos, da França e do Caribe, notadamente de Guadalupe, Trinidad e Tobago, Dominica, Martinica e Haiti, assim como por representantes do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos (AcIT). Em seu comunicado final, a Conferência caracterizou a MINUSTAH como o « braço armado da dominação imperialista ». Ela apresentou relatos que "permitiram compreender melhor a verdadeira política de privatização e de desenvolvimento das zonas francas, em benefício das multinacionais, impondo aos trabalhadores um regime de superexploração, sem direito de se organizar, sem garantias sociais, fora das normas legais haitianas e das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT)". Ela constatou "a destruição da produção agrícola nacional em benefício das multinacionais (por exemplo, a produção de arroz). A cobertura dos bens de consumo alimentar da população haitiana pela produção agrícola nacional passou de 60% para menos de 25% em menos de 20 anos. Os relatos nos permitiram constatar ainda a exploração de recursos minerais pelas companhias estrangeiras em todo o país. O que constitui um atentado grave à soberania da primeira República Negra independente".  

d) A Jornada Continental de 1o de junho de 2012, pela retirada imediata da MINUSTAH do Haiti e pela total soberania do povo haitiano, foi marcada, no Haiti e notadamente nos Estados Unidos, na Argentina, Brasil, México, Peru, Guadalupe e Martinica, e em outros países do Caribe, por várias manifestações e por encontros com representantes de governo no Brasil, Peru e Argentina. Nenhum deles negou a necessidade de sair do Haiti. Quando de uma audiência em 10 de julho de 2012, o ministro de Relações Internacionais do Brasil, país que comanda a MINUSTAH, chegou a declarar: "Penso que ela [a MINUSTAH] se prolongou mais do que o desejável".

e) Em 3 de setembro de 2012, várias organizações haitianas lançaram um chamado para uma delegação continental, com sede na ONU, pela a não-renovação das tropas da MINUSTAH no Haiti.

Em 11 de outubro de 2012, na ONU, também apresentamos para o senhor Gardner a existência de inúmeras outras manifestações, marchas e iniciativas tomadas por diversas organizações operárias, democráticas e populares que exigem a retirada das tropas do Haiti. Destacamos a importância de recentes manifestações de massa que aconteceram no Haiti em 29 e 30 de setembro e em 6 de outubro, combinando a exigência da retirada da MINUSTAH e a reivindicação por emprego, moradia, saúde, comida, fim da corrupção e saída imediata de Martelly. 
Sobre a base de todos esses elementos e das intervenções de cinco membros da delegação, Julio Turra (CUT-Brasil), Senador Moise Jean Charles (Haiti), Pablo Micheli (CTA-Argentina), Jocelyn Lapitre (LKP-Guadalupe) e Fignolé St. Cyr (CATH-Haiti), tivemos uma conversa com Gardner e sua equipe. Conversa que colocou em evidência várias questões, entre as quais :

- Senhor Gardner declarou que a presença da MINUSTAH no Haiti era "legítima na medida em que o chamado, na primavera de 2004, pela intervenção das tropas de manutenção da paz vieram do governo haitiano de transição internacionalmente reconhecido". A delegação responde que "um governo que vinha de um golpe de Estado militar e que eliminou um presidente democraticamente eleito, sequestrando-o, era tudo, menos legítimo".  

- Um dos delegados igualmente destacou que a ocupação da MINUSTAH constitui uma violação flagrante à Constituição do Haiti de 1987 que estipula, em seu artigo 263-1, que fora as Forças Armadas do Haiti e as forças de polícia nacional, "nenhuma outra força armada pode ficar em território nacional".

- Gardner responder que a presença da MINUSTAH foi aprovada pelo presidente "novamente eleito", Michel Martelly. A delegação afirmou que na eleição de 20 de março de 2011, as tropas da MINUSTAH asseguraram a segurança e a logística de um segundo turno ilegal. A eleição foi ilegal porque o Conselho Eleitoral Provisório (CEP) não legitimou os resultados do primeiro turno (de 28 de novembro de 2010), marcado pela desorganização, violência e fraude pura e simples. A eleição foi igualmente ilegal, pois um grande partido político, com uma base de massa, que se opôs ao golpe de 2004 e à ocupação (Fanmi Lavalas), foi impedido de apresentar candidatos à eleição.

- O senador haitiano Moise Jean Charles lembrou a Gardner que em 20 de setembro de 2011, o Senado haitiano adotou uma resolução exigindo do governo a "um pedido formal endereçado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas de retirada progressiva, ordenada e definitiva de todos os componentes da MINUSTAH em uma data que não excedesse o dia 15 de outubro de 2012".

- Um delegado lembrou ao senhor Gardner que, em 4 de novembro de 2011, mais de 5 mil haitianos afetados pelo cólera e as famílias de vítimas do cólera fizeram, no Haiti e em Nova York, uma ação contra a ONU e a MINUSTAH para responsabilizá-las da vinda do ”vibrião do cólera”  pelos soldados nepaleses que fazem parte da força de ocupação militar.  

Uma petição em inglês e francês foi entregue ao Chefe da Unidade da MINUSTAH encarrregado de reclamações no aeroporto de Porto Príncipe e no Escritório do secretário geral Ban Ki-moon, em Nova York. Ela acusa a ONU de ser « responsável por negligência, negligência grave, de despreocupação e indiferença deliberada diante da saúde e da vida do povo haitiano, causa de ferimentos aos peticionários e de mortes devidas ao cólera ». Esta petição exige da ONU que acorde « uma compensação financeira aos peticionários ; medidas efetivas para prevenir a propagação do cólera; um reconhecimento formal da responsabilidade da ONU ; desculpas pela responsabilidade da ONU na epidemia que flagelou o Haiti ».

O Sr. Gardner respondeu que a ONU não é responsável do que os soldados de qualquer país implicados nas « operações de paz » possam fazer ou não e que o serviço jurídico da Organização das Nações Unidas foi encarregado de estudar a questão da indenização. E que não faria mais comentários. 

O Sr. Gardner anunciou que o Conselho de Segurança iria em breve tomar medidas de redução das tropas no Haiti, mas que o « mandato de manutenção da paz » prosseguiria até alcançar um patamar de estabilidade e de paz, pelo menos até à próxima eleição presidencial no Haiti em 2015. A delegação unânime disse ao Sr. Gardner que ele e a ONU tomavam as coisas pelo lado contrário. Ela insistiu no fato que o que é prévio ao estabelecimento da paz e da democracia é a retirada imediata de todas as tropas da MINUSTAH e as reparações para as vítimas da ocupação. 
      
Voltando à situação em curso no Haiti, nós afirmamos : 

As manifestações que se desenvolvem nessas últimas semanas constituem verdadeiros levantes das massas, contra a carestia e o governo de turno. Cartões vermelhos na mão, para exigir a saída do governo, trabalhadores, jovens, homens e mulheres, desfilaram pacificamente, sem incidentes, gritando « Não, não mais  golpe de Estado. Queremos um Estado democrático no Haiti ». em Porto Príncipe, manifestantes pacíficos foram barrados pela polícia haitiana apoiada pelos capacetes azuis da ONU. Mais que nunca está claro que esta é a única razão da presença no Haiti dos soldados da MINUSTAH : impedir, em benefício das multinacionais, o povo haitiano de exercer seus direitos democráticos e sua soberania !
On ne peut pas plus prétendre que la MINUSTAH soit en Haïti pour « rétablir les conditions de stabilisation, de paix et de démocratie ».

De ponta a ponta do continente americano, sindicalistas, organizações políticas e populares, exigem a retirada imediata da MINUSTAH e a cessação imediata da represssão pelas forças policiais do governo Martelly e da MINUSTAH.

Mas, surdo a essa exigência, o Conselho de Segurança da ONU acaba de, novamente, em 12 de outubro, renovar o mandato da MINUSTAH. O que quer dizer que em 1o de junho de 2013 se iniciará o 9o ano da ocupação. 

Depois de oito anos, mais um ano ! É inaceitável. Não podemos aceitar ! 

Trabalhadores, jovens, organizações sindicais e democráticas, mais que nucna, chegou a hora de impedir que essa situação continue. Nós conclamamos desde já a que se prepare uma ampla e representativa Conferência continental sobre a palavra de ordem « Defender o Haiti é defender a nós mesmos », a qual terá lugar no Haiti em 1o de junho de 2013. No momento em que chegarão as novas tropas, as delegações de nossos países estarão presentes em solo haitiano para rejeitar a presença da MINUSTAH.

Retomamos para nós as exigências do compromisso de São Paulo, reiteradas por ocasião da jornada continental de 1o de junho de 2012 :
 - Anulação da dívida externa do Haiti ! 
- Restituição das somas pagas !
- Devolução das somas extorquidas no momento da independência !
 - Reparações para as famílias das vítimas do cólera e de violações dos direitos humanos !
 - Retirada imediata das tropas da ONU do Haiti !

Pelo sucesso da Conferência Continental « Defender o Haiti é defender a nós mesmos » , 1o de junho de 2013, no Haïti !
Em defesa da soberania da nação haitiana ! 
Cabe ao povo do Haiti decidir sobre seu futuro !
Nova York (Estados Unidos da América), 12 de outubro de 2012 

—  Assinaturas da delegação neste chamado :
Julio Turra, diretor executivo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Brasil ;
Moïse Jean Charles, senador (Haiti) ; 
Pablo Micheli, secretário geral da Confederação dos Trabalhadores Argentinos (CTA) ; 
Jocelyn Lapitre, membro do LKP e da ATPC (Guadalupe) ; 
Fignolé Saint-Cyr, secretário geral da Confédération autonome des travailleurs haïtiens (CATH) ; 
Geffrard Jude Joseph, diretor da Radio Panou (EUA, N.York, Brooklyn) ; 
Colia Clark, Guadeloupe-Haïti Campaign Committee (EUA, N. York) ; 
Alan Benjamin, Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos (EIT-ILC) (EUA, San Francisco, California), membro do comitê executivo da AFL-CIO de San Francisco ; 
Kim Ives, comitê editorial Haïti-Liberté (N. York) ; 
Robert Garoute, MPDH, (EUA, N. York, Brooklyn).

(*) Documentos a este propósito podem ser consultados em : http://entente-internationale-des-travailleurs-eit-ilc.blogspirit.com/haiti/



10 de out. de 2012


O Comitê “Defender o Haiti é defender a Nos mesmos”

Uma delegação pela campanha pela retirada das tropas da MINUSTAH do Haiti se prepara no próximo dia 11 de Outubro para ser recebida na Organização das Nações Unidas (Nova York/Estados Unidos). O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já solicitou em seu relatório anual a renovação por mais um ano de permanência das Tropas da MINUSTAH no Haiti.

Este ano completou oito anos de ocupação com a presença da MINUSTAH no Haiti, durante todo esse período sua presença dessa força de ocupação  foi a de tornou-se uma força de repressão ao povo haitiano. São muitos os casos de agressão e violação dos direitos do povo haitiano (roubo, estupro, violação do espaço universitário), violações essas que foram amplamente denunciadas.

Após o ato continental realizado em novembro de 2011, num, em São Paulo, representantes do Brasil e mais 6 países propuseram a criação de um “Comitê Continental pela Retirada Imediata das tropas da ONU do Haiti”, e a organização de uma Jornada Continental no dia 1º Junho de 2012, data do 8º aniversário da intervenção da MINUSTAH.

Essa delegação que contará  com a participação de companheiros e companheiras do Brasil, Argentina, Guadalupe, Haiti e EUA, vai exigir:

1 -  A retirada imediata das tropas da Minustah, 

2 - A anulação total e incondicional de todas as dívidas do Haiti;

3 - Pagamento pela França de 21 bilhões de dólares devidos à República do Haiti;

4 - Indenização para todas as vítimas da MINUSTAH, pelas Nações Unidas.

Delegação:
Julio Turra, Executiva Nacional da CUT -  Central Única dos Trabalhadores do Brasil
Adriano Diogo, (PT/SP), Deputado Estadual
Pablo Micheli, Secretário Geral da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA- capital)
Senador Maurice Jean-Charles, Haiti
Fignolé St Cyr, Secretário Geral CATH Central Autonoma dos Trabalhadores do Haiti
Jocelyn Lapitre, LKPGuadalupe / Associação dos Trabalhadores e Povos do Caribe
Colia Clark, Campanha Guadeloupe-Haiti Campaign
Alan Benjamin, AcIT -  Acordo Internacional dos Trabalhadores
Berthony Dupont, Editor do Jornal Haiti-Liberté, New York
Eduardo Rosario, Co-Organizador da Conferencia Mundial Aberta
Geffrard Jude Joseph, Diretor da Radio Panou
Kim Ives, Jornal Haiti-Liberté
Larry Adams, People's Organization for Progress
Minouche Lambert, Fanmi Lavalas
Marlene Jean-Noel, Fanmi Lavalas
Jean Oreste, Kakola
Robert Garouthe, MPDH

Além dos que estarão lá, o Comitê “Defender o Haiti é defender a Nós Mesmos” também divulga os documentos de apoio a esta iniciativa vindos da Argentina, Bolivia, Equador, Mexico, Peru e Uruguai, das seguintes entidades:
Argentina 
CTA-Capital Central dos Trabalhadores Argentinos, parte do Comite por el Retiro de las Tropas

Bolívia 
Mensagem do Sindicatos dos Mineiros de Huanuni

Equador 
JOSE LIMAICO VELA, en calidad de Secretario General del Comité de Empresa de los Trabajadores de la Empresa Pública Estratégica Corporación Eléctrica del Ecuador, "CELEC EP

México 
Mensagem de diversos dirigentes de sindicatos da cidade do México, entre eles, SITUAM Sindicato Independente dos Trabalhadores da Universidade Autonoma Metropolitana, de JOSÉ HUMBERTO MONTES DE OCA LUNA, Secretario do Sindicato Mexicano de Eletricitários (SME), JUAN HERNÁNDEZ, Membro da Coordenação Nacional da CNTE-SNTE – Sindicato nacional dos Trabalhadores em Educação. Alem destes, uma dezena de dirigentes sindicais e de movimentos populares da cidade de Mexicali (Baja California) também mandaram suas mensagens, entre eles dirigentes do Sindicato de Trabalhadores de SAGARPA, do Congresso do Trabalho de  Mexicali e do Sindicato Nacional de Trabalhadores Aereoportuarios).

Peru 
Dezenas de sindicalistas, entre eles, o Secretário de Relações Institucionais da CGTP Central Geral dos Trabalhadores do Peru, dirigentes da Federação Nacional dos Trabalhadores em Pesca e do Sindicato Nacional dos Bancários, entre outros.
Uruguay - Hugo Dominguez  Presidente de la União Nacional de trabalhadores do ramo metalúrgico UNTMRA PIT CNT URUGUAI

9 de out. de 2012


Prestaçao de contas das mobilizações de 27 de setembro de 2012 em Cap-Haitien

Manifestação no Haiti.


Todas as organizações e movimentos sociais e os sindicatos concordaram em reunir os seus esforços com o objetivo comum de lutar contra o alto custo de vida, exigir do governo a retirada imediata da MINUSTAH, a criação de empregos, eletricidade e infra-estrutura a fim de alcançar uma melhora na qualidade do serviço público para atender a todos os cidadãos. E reivindicar do governo uma política de reabsorção para finalmente colocar o país com acesso real à sua produção. Esta mobilização se realizaou em seguida à conferência Caribenha realizada em Cap-Haitien, em novembro de 2011, passando pela mobilização de 01 de junho, a Jornada Continental de mobilização que marcou os oito anos das tropas da ONU (Minustah) no solo do Haiti. Desde então, a  CATH  Central Autonoma dos Trabalahdores do Haiti mandatou seu representante do Departamento do Norte, particularmente em Cap-Haitien,  para trabalhar com todas as organizações existentes na cidade , em particular com a ACNH, que é uma associação nacional, uma das principais organização de mobilização. O que permitiu, depois de um mês no qual o  departamento norte esta em alerta, a mobilização regular de milhares de pessoas reais que afirmam Abaixo querida vida! Abaixo o governo Marthelly / Lamorth! Abaixo a Minustah! Abaixo os falsos políticos eleitos! Viva o Haiti livre e democrático!
O departamento do norte esta em sintonia com o resto e em todo o país cresceu a exigencia, à uma só voz, de que o governo dê uma solução rápida para o problema levantado.
Eu, como representante da CATH estive presente na manifestação em 27 de Setembro com o mandato de todas as organizações que participam deste movimento para publicar as demandas da população, através de orgãos internacionais e dar conhecimento ao movimento operário em geral . As fotos desta demonstração estão anexadas a esta nota e peço a todos os meus amigos do Acordo Internacional dos Trabalhadores, e do Caribe, que integrem as imagens em seus jornais e mandem cópias enviadas para que nós possamos publicar para as organizações signatárias. 
Uma nota: a seção norte da CATH faz parte deste grande movimento pela emancipação do povo haitiano e do movimento operário, em particular. E mo dia 5 de Outubro a CATH deve convocar uma manifestação ao lado de outras organizações, no contexto do Dia Mundial do Trabalho Decente. Também no espírito de unidade, as nossas intervenções têm sido relatados na Radio  Visão 2000 e em todas as estações de rádios locais e redes de  televisão.
Organizações signatárias: ACNH, COSPRENN, SIKLON, REPO, REJA, BPN, FEMODEK, IC, KOPB, CATH, COCIAS, FTN, GRATAGE

Cap-Haïtien, 28 de Setembro de  2012

17 de set. de 2012




Ocupação do Haiti

MINUSTAH: uma recomendação deplorável


“É uma vergonha, um escândalo e outro crime, além dos crimes de exploração e dominação da Comunidade Internacional sobre o Haiti” lamenta o Coletivo de Mobilização pela Reparação das vitimas do Cólera. Esta declaração é feita em reação à demanda do secretario geral da ONU, Ban Ki-moon de prolongar, por um ano a mais, o mandato da Missão das Nações Unidas pela Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Uma recomendação, que foi feita pelo Conselho de segurança em 31 de agosto de 2012 “eu recomento a prorrogação do mandato da MINUSTAH por um ano, até 15 de outubro de 2013...” declarou Ban Ki-moon no parágrafo 59 do relatório.
Em entrevista ao AlterPresse, Yves Pierre, membro do Comitê do Coletivo de Mobilização pela Reparação das vitimas do Cólera, assimila esta recomendação como uma encenação dos países da comunidade internacional que se dizem os melhores amigos doa Haiti, onde Ban Ki-moon é o autor. 
A violência se concentra hoje nas grande aglomerações; há um forte aumento do número de homicídios;  os bandos armados nos bairros continuam sendo a fonte principal da insegurança: a Policia Nacional do Haiti (PNH) não pode nem mesmo assegurar a segurança no interior sobre todo o território, são elementos do quadro argumentativo do secretários geral da ONU.
Problemas, que encontram sua explicação nas "más condições sócio-económicas", segundo Yves Pierre, que acredita que o desafio de superar o país não está nas armas.
O Coletivo de Mobilização pela Reparação das vitimas do Cólera segue sustentando a retirada da missão da ONU do país, missão que deverá usar um orçamento de 648,394.00 dólares  – necessários ao funcionamento da MINUSTAH – que seria usado para o financiamento de ações de resolução de problemas sociais básicos e apoiar a PNH
“A fome e a falta de acesso aos serviços sociais básicos são as únicas ameaças para o Haiti", acrescentou o ativista, dizendo que evocar a fraqueza da polícia nacional no Haiti é um pretexto, já que a presença MINUSTAH nos últimos 8 anos (desde junho de 2004) não resolveu os problemas.
O Coletivo de Mobilização pela Reparação das Vitimas do Cólera reclama justiça para as vítimas do cólera , que apareceu no Haiti em 19 de outubro de 2010.
Pesquisas mostrara que a linhagem do vibrião colérico que causa a doença são provenientes do contingente do Nepal, que esteve baseado em Mirebalais (planalto central, cerca de 40 km a nordeste da capital), não muito longe dos lugares onde a epidemia teve o seu início.
Mais de 7.000 mil pessoas já morreram devido a esta epidemia, que continua a fazer vítimas na população.
O grupo também pretende participar de uma eventual mobilização que deve ocorrer em frente à sede da ONU em Nova York, segunda-feira, 15 outubro de 2012 para exigir a retirada da MINUSTAH no Haiti.
Este encontro será um símbolo de solidariedade de todas organizações do Continente Americano e do Caribe, antecipa o Coletivo.

18 de jul. de 2012

Communiqué de Presse Le ministre de la Défense, Celso Amorim, reçoit la délégation qui demande le retrait des troupes d’Haïti


De gauche à droite : Alexandre Conceição (MST – Mouvement des Travailleurs Sans Terre), Fernando Ferro (député fédéral PT, Pernambouc), le traducteur Vougle, Fignolé St. Cyr (secrétaire de la CATH, Centrale Autonome des Travailleurs d’Haïti), Barbara Corrales (Comité « Défendre Haïti c’est nous défendre nous-mêmes »), Celso Amorim (ministre de la Défense), Marcius Sidartha (Jeunesse Révolution/IRJ), Markus Sokol (membre de la Direction Nationale du PT) et Adriano Diogo (députe d’état PT, Sao Paulo).
Lors de la réunion, le 10, au cabinet du ministère de la Défense, à Brasilia, Markus Sokol a présenté au ministre la campagne pour le retrait des troupes décidée en novembre dernier au Meeting continental qui a vu la participation de représentants de 7 pays à la Mairie de Sao Paulo, où a été lancé l’appel à la Journée continentale du 1° juin dernier exigeant le retrait des troupes, qui est à l’origine de cette audience.
Sokol a mis en cause la présence de la Minustah qui, après 8 ans, n’a apporté aucune stabilisation ni soulagé la misère, créant une situation de fraudes successives aux élections présidentielles, sans que parvienne l’aide internationale annoncée, et il a demandé : « Que faisons-nous en Haiti ? Un ex-ministre (Jobim) a dit que nous nous entrainions à combatre dans les « favelas » de Rio, ce n’est pas possible ! Les manifestations en Haïti demandent toujours la restauration de la souveraineté nationale et le retrait des troupes. Il y a même une deterioration, comme lors de la récente invasion de la Faculté des Sciences humaines (FASCH) par les troupes brésiliennes, malgré la protestation du Recteur de l’université lui-même. Ce gouvernement ne peut avaliser cela, ce sont des agissements propres aux gouvernements tels que ceux d’Alckmin et de Serra (du PSDB, parti pro-imperialiste au gouvernement a São Paulo, qui envahi la Universite local) ».
Le député Ferro a souligné : « il y a 8 ans je comprenais la présence des troupes pour une période donnée, mais aujourd’hui, je ne trouve pas dans les faits de justification à leur maintien. »
Le député Adriano a rappelé le retrait de l’Armée du Morro do Alemao (RJ), en soulignant que « les troupes ne peuvent régler les conflits sociaux. Nous sommes contre l’idée d’intervention de l’armée, diffusée par l’Ecole des Amériques (des USA). Nous devons bannir cela de notre histoire. » Il a fini en demandant au ministre « quel est le calendrier du retrait ? »
Alexandre Conceiçao a affirmé « la position du MST est pour le retrait des troupes. Voilà de nombreuses années que nous avons une Brigade dans ce pays, dans un projet de coopération avec les mouvements paysans, d’échange d’expériences, alors que nous recevons, au Brésil, des délégations d’haïtiens pour des cours de formation. C’est cela qui devrait être le modèle de coopération du Brésil avec Haïti. »
Fignolé Saint Cyr est venu au Brésil à l’invitation de la CUT (qui soutient le retrait des troupes, et dont les dirigeants étaient ce jour-là en congrès à Sao Paulo). Il a expliqué qu’il était venu « demander la solidarité des brésiliens pour la reconstruction d’Haïti, non seulement matérielle, mais de sa souveraineté, qui est incompatible avec la présence des troupes, décidée par les puissances occidentales. » Il a estimé que « après 8 ans, les forces dites de stabilisation, sont de véritables troupes d’occupation qui ont apporté au pays l’épidémie de choléra et qui violent notre souveraineté. Le Brésil pourrait aider en donnant l’exemple et en retirant ses troupes. Je suis allé à l’ONU l’an dernier, mais ils n’ont ouvert aucune perspective, ils n’ont donné aucune date. Mais ce que le peuple haïtien veut, ce que les organisations du mouvement syndical et populaire demandent : le retrait des troupes. »
Le ministre Celso Amorim a justifié l’envoi de troupes (« éviter le chaos »), et a nié qu’elles étaient un instrument « de colonialisme des puissances », mais il a dit qu’aujourd’hui « notre intention est de sortir, mais cela doit être décidé avec d’autres ministères, et d’autres pays, en particulier d’Amérique du Sud, et l’ONU, car nous ne pouvons rien faire unilatéralement. La présence des troupes a été demandée par le gouvernement d’Haïti, et le Conseil de sécurité de l’ONU est la seule instance qui légitime ce type d’intervention. Je pense qu’elle a duré déjà plus que souhaité, ce qui a pu créer tel ou tel conflit, mais tout incident a été investigue. Nous devons planifier un retrait progressif et, je répète, décidé par le dialogue avec nos partenaires de l’Unasul dont les pays y ont des troupes. »
Le ministre a reconnu que « la revendication de réparation pour le choléra mérite être examinée par l’ONU » et il a dit « n’est pas  informé de l’affaire de la faculté. »
« Nous pouvons avoir des points de vue différents, c’est pourquoi je mets en avant le dialogue », a-t-il conclu, « comme citoyen j’ai déjà dit ce que je pense, nous devons retirer les troupes. Mais, comme ministre, je dis retirer, oui, investigue les incidents, oui, mais pas un retrait abrupt et désordonné, le retrait progressif est raisonnable; moi je laisserais un bataillon et le reste des ingénieurs et des techniciens, mais l’ONU ne voit pas les choses ainsi. »
Le ministre a reçu des mains de Barbara Corrales un Dossier avec le compte-rendu de la Commission internationale d’enquête sur les abus et crimes commis par la Minustah, y compris un dossier de la récente invasion de la FASCH par les troupes brésiliennes.
Finalement interroge sur la question d’un calendrier du retrait, le ministre a accepté une nouvelle audience d’ici à trois mois, « avant y compris la discussion sur le renouvellement du mandat des troupes de l’ONU le 15 octobre. »

17 de jul. de 2012

Ministro da Defesa, Celso Amorim, recebe delegação que pede Retirada das Tropas do Haiti


Da esquerda para a direita: Alexandre Conceição (MST), Fernando Ferro (deputado federal PT-PE), tradutor Vougle, Fignolé St. Cyr (secretário da CATH, Central Autônoma dos Trabalhadores do Haiti), Barbara Corrales (Comite “Defender o Haiti é defender a nós mesmos”), Celso Amorim (ministro da Defesa), Marcius Sidartha (Juventude Revolução/IRJ), Markus Sokol (membro DN- PT) e Adriano Diogo (deputado estadual PT-SP).
Na reunião, dia 10, no gabinete do ministério da Defesa, em Brasília, Markus Sokol apresentou ao ministro a campanha pela retirada das tropas que organizou em novembro passado o Ato Continental com representantes de 7 países na Câmara Municipal de São Paulo, quando se convocou a Jornada Continental do último dia 1º de Junho. Em 10 países (em 20 cidades brasileiras, por exemplo), Atos e delegações dirigiram-se aos governos pedindo a retirada das tropas, inclusive originando esta audiência.
Sokol questionou a presença da Minustah que, 8 anos depois, não produziu nenhuma estabilização nem aliviou a miséria, gerando uma situação de sucessivas fraudes nas eleições presidenciais, sem que viesse a anunciada ajuda internacional, e perguntou: “o que estamos fazendo lá? Um ex-ministro (Jobim) disse que estávamos treinando para subir nos morros do Rio, não pode ser! As manifestações no Haiti continuam pedindo a restauração da soberania nacional e a retirada das tropas. Há mesmo um desgaste, como na recente invasão da Faculdade de Ciências Humanas (FASCH) por tropas brasileiras, sob protesto do próprio Reitor da universidade. Isso não pode ser coisa deste governo, é coisa própria de governos como de Alckmin e Serra”.
O deputado Ferro ressalvou que “há 8 anos entendia a presença das tropas por um determinado período, mas hoje, não encontro justificativa nos fatos para a permanência”.
O deputado Adriano comemorou a retirada do Exército do Morro do Alemão (RJ), enfatizando que “tropas não podem mediar conflitos sociais. Somos contra a idéia do exército intervir, difundida pela Escola das Américas (dos EUA). Temos de banir isto da nossa história”. Terminou perguntando ao ministro “qual o cronograma da retirada?”
Alexandre Conceição afirmou “a posição do MST é pela retirada das tropas. Mantemos uma Brigada no país há muitos anos, num projeto de cooperação com os movimentos camponeses, de troca de experiências, ao mesmo tempo que recebemos, no Brasil, delegações de haitianos para cursos de formação. Este deveria ser o tipo de cooperação do Brasil com o Haiti”. 
Fignolé St. Cyr veio ao Brasil convidado pela CUT (que apóia a retirada das tropas, e cujos dirigentes nesse dia estavam em congresso em SP). Ele explicou que veio “pedir a solidariedade dos brasileiros para a reconstrução do Haiti, não só material, mas de sua soberania, que é incompatível com a presença das tropas, decidida pelas potencias ocidentais”. Considerou que “após 8 anos, as forças ditas de estabilização, são verdadeiras tropas de ocupação, que trouxeram ao país a epidemia do cólera e violam nossa soberania. O Brasil poderia ajudar dando o exemplo e retirando suas tropas. Estive na ONU no ano passado, mas não nos deram nenhuma perspectiva, nenhuma data. Mas é isso que o povo haitiano quer, o que organizações do movimento sindical e popular pedem: a retirada das tropas”.
O ministro Celso Amorim justificou o envio das tropas (“evitar o caos”), questionou que fossem instrumento “de colonialismo das potencias”, mas disse que hoje “nossa intenção é sair, só que isso tem de ser acordado com outros ministérios, e também com outros países, em particular da América do Sul, e a ONU, pois não podemos fazer nada de forma unilateral. A presença de tropas foi pedida pelo governo do Haiti, e o Conselho de Segurança da ONU é a única instancia que legitima neste tipo de intervenção. Penso que ela já se alongou mais que o desejado, o que pode ter gerado um ou outro conflito, mas todo incidente foi apurado. Temos de planejar uma retirada gradual e, repito, pautada pelo diálogo com nossos parceiros da Unasul cujos países têm tropas lá”.
O ministro reconheceu que “a reivindicação de reparação pelo cólera merece um exame pela ONU” e disse “não estar informado do caso da faculdade”.
“Podemos ter visões diferentes por isso valorizo o diálogo”, concluiu, “como cidadão já disse o que penso, temos de retirar as tropas. Agora, como ministro, digo retirar, sim, apurar sim, mas não uma retirada abrupta e desordenada, é sensato a retirada gradual; por mim deixava um batalhão e o resto de engenheiros e técnicos, mas a ONU não vê assim”.
O ministro recebeu de Bárbara Corrales um Dossiê com o relatório da Comissão Internacional de Investigação sobre os abusos e crimes cometidos pela Minustah, inclusive o dossiê da recente invasão da FASCH por tropas brasileiras. 
Finalmente questionado sobre uma proposta de cronograma de retirada, o ministro concordou com uma nova audiência daqui a três meses, “antes ainda da discussão sobre a renovação do mandato das tropas na ONU em 15 outubro”.

Comitê Defender Haiti é Defender a Nos Mesmos